A relva de Wimbledon volta a ganhar vida e, durante duas semanas, o All England Club transforma-se no centro do universo tenístico. O Grand Slam mais antigo do mundo decorre entre 29 de junho e 12 de julho, e hoje é mais um dia de tênis ao mais alto nível em Londres.
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Da estreia dos favoritos às surpresas que só a relva sabe proporcionar, fica connosco e vive Wimbledon 2026 jogo a jogo.
Quartos Finais Masculinos 8 Julho 2026
A história que toda a gente quer ver continuar tem nome e sobrenome: Arthur Fery. O wildcard britânico, que começou o ano no ranking 189 do mundo, eliminou Grigor Dimitrov em cinco sets e chega hoje aos quartos de final frente a Flavio Cobolli. Se vencer, torna-se o primeiro britânico a alcançar as meias-finais de Wimbledon desde Cameron Norrie, e entra no clube mais exclusivo do ténis inglês, ao lado de Henman, Rusedski e Murray. Detalhe que o destino parece ter planeado: Fery faz 24 anos no domingo, o dia da final.
Do outro lado da rede, Cobolli chegou a SW19 sem casa, literalmente. Depois de eliminar De Minaur, confessou em court que a equipa precisava urgentemente de alojamento em Wimbledon. Uma família italiana local resgatou-os com pasta e companhia. Agora, bem instalado, o florentino quer arruinar o conto de fadas do vizinho. A única vez que se defrontaram, na Austrália em janeiro, Fery venceu, embora Cobolli jogasse em baixo fisicamente. Desta vez, é diferente.
O segundo quarto de final masculino de hoje opõe Alexander Zverev a Taylor Fritz, e para o campeão de Roland Garros, este é o adversário que menos queria encontrar. Fritz venceu os últimos sete encontros entre os dois. Depois de perder a final de Stuttgart no ano passado, Zverev desabafou ao americano em tom de brincadeira: “Taylor, estou farto de ti. Não te quero ver durante dois ou três anos.” Fritz não ouviu, voltou a vencê-lo em Halle semanas depois. “Ele foi melhor do que eu”, admite Zverev. “Mas agora sinto-me diferente. Acredito que posso ganhar.”
Quartos Finais Femininos 8 Julho 2026
O quadro feminino continua completamente em aberto e Linda Noskova, 21 anos, resume bem o espírito da competição: “Sinto que qualquer uma pode bater qualquer uma.” A checa, que venceu nove dos últimos dez jogos na relva e eliminou Madison Keys na ronda anterior, enfrenta hoje Elise Mertens, uma adversária que não chegava a um quarto de final de Grand Slam há seis anos, sofrendo nove derrotas na quarta ronda nesse período. Está de volta no seu 38.º major. “Quem sabe se é a minha última oportunidade?”, reflecte a belga. Mertens nasceu dois meses prematura, a lutar desde o primeiro dia. Essa tenacidade nunca a abandonou.
No Centre Court, Jasmine Paolini regressa com a energia que a tornou finalista em 2024. A italiana passou a tarde anterior a tentar não olhar para a Royal Box, onde Roger Federer, o seu ídolo, estava sentado, enquanto eliminava Alexandra Eala. Conseguiu. Hoje precisa de concentração igual frente a Marta Kostyuk, a jogadora ucraniana em estado de graça: 20 vitórias em 21 jogos desde abril. Há poucas semanas, Kostyuk achava que “perdia para toda a gente” nos treinos. A treinadora Sandra Zaniewska insistia: “A relva serve-te.” Tinha razão.

